Freitag, 18.02.2005
MOMENTO DE INSTROSPECÇÃO... CONFABULANDO COMIGO MESMA...
Amigo (a)...
Este cantinho não é um local onde falo com muitos, mas apenas com você e comigo mesma. Ao contrário do que escrevi aqui, é possível comentar sim, só que não me reocuparei em responder, como acontecera no outro Blogg. Na realidade fico receosa de escrever aqui o que realmente sinto, pois não deixa de ser um espaço público...
Na realidade eu gosto muito de interatividade, só que no outro blogg aconteceu uma espécie de cisão entre o que eu escrevo e o que as pessoas comentam ao lado... como se não houvesse uma ligação direta entre uma coisa e outra... o Blogg da Verinha virou um fórum de discussões, um tipo de chat slow motion, sem que eu possa fazer nada a respeito... por outro lado acho bacana, nossa...
Enfim, eu amo demais o Blogg, mas ele cresceu sem o meu controle, enveredou por caminhos que eu não esperava, enfim... senti que perdi um pouco o controle da situação. Controle, que por sinal, jamais desejara ter...
Reproduzo aqui, uma vez mais, o meu escrito CHOVE, NENHUMA CHUVA CAI... uma vez que tem muito a ver com o meu momento presente.
CHOVE? NENHUMA CHUVA CAI...
Ai, que saudades daqueles dias brancos e frios! Eu era tão pequena e frágil; a chuva lá fora resguardava-me junto ao cálido leito, onde, enroscando-me por entre lençóis e cobertas, à meia-luz, devorava torradas e gibis, ao abrigo das intempéries de um mundo hostil.
De quando em quando, voltava o olhar para a janela, persiana aberta e vidros cerrados, de onde degustava um muro branco, quase brilhante, claro como a chuva e a neve. Sempre chovia e nevava no muro de meus sonhos.
Era mais um daqueles dias preciosos, nos quais, fingindo-me enferma, mantinha-me à distância da escola, palco de sofrimentos indizíveis, dores que o meu coração de criança não podia suportar. Havia dois mundos opostos e inconciliáveis, cujas fronteiras definiam-se a partir da soleira da porta de minha casa. Era preciso não misturá-los: não macular o meu mágico universo familiar com os horrores que conhecera lá fora.
Agarro-me fortemente aos lençóis, sinto o calor e aconchego de minha cama de doente, único canto onde me sinto protegida, livre para sobrevoar os arco-íris de um universo fantástico, livre para tudo querer e para tudo poder ser, levitando entre estrelas e planetas, contemplando, do infinito azul, a pequenez da Terra e seus habitantes. Talvez até chova em algum recanto. Mas aqui, nenhuma chuva cai.
Vera de Azevedo Rodrigues
E cá estou, em meio ao branco brilhante da neve, mas, por outro lado, não sinto o aconchego do lar que sentia em outros tempos... Novamente em minha cama de doente, não tenho mais os gibis, não tenho mais as torradinhas de papai... O tempo passou, e hoje me indago: será possível resgatar os sonhos destroçados pela inexorável passagem do tempo?
Espero que sim...
Bem, não leve muito a sério o que escrevo. Estou meio delirante pela gripe que me assola, e isto sempre deprime um bocado.
Verinha

Foto batida da janela de nossa cozinha há uns 2 dias atrás, assim como as próximas. Note a seqüência - Stefan chega em casa com o carro semi-coberto de neve. Fotos batidas por volta das 13 horas.

Stefan se aproximando de casa...

... e já dentro de nosso jardim. Notem o carro...
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